A exigência de atividades avaliativas discursivas presenciais trouxe ao ensino superior um conjunto novo de desafios pedagógicos e operacionais. O Novo Marco Regulatório da Educação Superior determina vários detalhes importantes, cujas regras redesenham as práticas de avaliação, demandam infraestrutura confiável e impõem que professores e Instituições de Ensino Superior (IES) repensem logÃstica, segurança e desenho instrucional. Falaremos a respeito disso ao longo do conteúdo.
Entenda a importância e o que a norma estabelece sobre atividades avaliativas discursivas presenciais
O Decreto nº 12.456/2025 obriga a aplicação de avaliações presenciais em todas as unidades curriculares ofertadas parcialmente ou integralmente em EaD, com periodicidade e observância aos referenciais de qualidade. Além disso, as avaliações devem priorizar instrumentos que desenvolvam habilidades discursivas de análise e sÃntese com, no mÃnimo, 1/3 do peso avaliativo, salvo nos casos de atividades práticas. Essas definições visam fortalecer a confiabilidade dos resultados e garantir que a formação superior preserve competências crÃticas.
O alcance prático da exigência
Na prática, isso significa que muitas provas objetivas não serão suficientes se não forem feitas de maneira discursiva e de maneira presencial. Essa mudança busca mitigar riscos de fraude, mas também exige clareza sobre critérios de correção e procedimentos de identificação de estudantes.
Desafio pedagógico: repensar o que se avalia nas atividades discursivas presenciais
A implementação de avaliações discursivas presenciais não é um mero ajuste operacional, já que implica a revisão do projeto pedagógico. Os professores devem articular quais habilidades discursivas realmente importam para a unidade curricular e escolher formatos que permitam evidenciá-las com fidelidade. Entre as várias possibilidades e sugestões, há:
- Avaliações discursivas com cenários aplicados;
- Seminários presenciais com rubricas explÃcitas;
- Relatórios curtos com defesa escrita;
- Estudos de caso que exijam sÃntese e argumentação.
Cada formato exige rubricas claras, orientação prévia aos estudantes e formas de feedback que promovam a aprendizagem, não apenas um número para passar em uma matéria especÃfica. A avaliação formativa ganha um papel central como preparação para o momento presencial de verificação.
Construir rubricas que façam sentido
Uma rubrica bem construÃda descreve critérios de análise e sÃntese em nÃveis observáveis a fim de orientar a correção e alinhar expectativas dos estudantes. Assim, reduz-se a subjetividade e aumenta-se a transparência, fatores essenciais quando a nota final depende majoritariamente de avaliações presenciais.
Desafio operacional: logÃstica, segurança e escala
Aplicar avaliações presenciais para turmas grandes exige uma capacidade logÃstica com espaços adequados, controle de presença, sistemas para identificar o estudante e procedimentos de segurança.
O decreto também prevê que as atividades avaliativas discursivas presenciais sejam realizadas pelas IES em suas sedes, nos campi fora das sedes e nos Polos EaD, em todas as suas unidades curriculares ofertadas de forma parcial ou integral em educação a distância. Sem dúvida, isso amplia a necessidade de coordenação entre unidades, além de que essas rotinas aumentam custos e demandam processos padronizados de operação.
Identificação e integridade
As IES devem assegurar a identificação dos estudantes nas atividades avaliativas discursivas presenciais, para garantir que as provas sejam feitas exclusivamente pelos matriculados. Isso implica em procedimentos que variam desde a checagem de documentos até sistemas biométricos ou uso de credenciais institucionais, sempre de acordo com a legislação de proteção de dados. A propósito, é preciso ter em mente que organizar filas, distribuir materiais e treinar a equipe de aplicação são tarefas que consomem tempo e recursos humanos.
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Planejamento de calendários e janelas avaliativas
A obrigatoriedade de atividades avaliativas discursivas presenciais altera prazos e cronogramas. Isso porque as unidades curriculares EaD costumam oferecer flexibilidade e, agora, a IES precisa calendarizar momentos presenciais compatÃveis com a vida dos estudantes e com a capacidade fÃsica dos polos. Estratégias eficazes incluem:
- Janelas avaliativas centralizadas em locais previamente estabelecidos para reduzir deslocamentos desnecessários;
- Múltiplas datas de prova com controle de segurança;
- Integração com calendários acadêmicos e prazos administrativos.
Dessa forma, planejar antecipadamente e comunicar claramente evita surpresas e desistências dos estudantes por incompatibilidade de datas.
Formatos avaliativos que funcionam na prática
Para atender ao peso mÃnima (â…“) das atividades avaliativas discursivas presenciais, os professores podem combinar instrumentos avaliativos. Alguns exemplos de arranjos são:
- Prova discursiva presencial (peso 40%) + projetos e enquetes online (peso 60%);
- Apresentação presencial com banca e relatório (peso 35% + 25%) + prova discursiva presencial (peso 40%);
- Exame oral gravado presencialmente (peso 33%) + prova discursiva presencial (peso 67%).
Esses arranjos permitem conciliar profundidade avaliativa com recorrência formativa, o que reduz a ansiedade e melhora o desempenho dos estudantes. Nesse sentido, é crucial documentar critérios e procedimentos no Projeto Pedagógico do Curso.
Tecnologia, plataformas e apoio institucional
Plataformas educacionais precisam apoiar a logÃstica das atividades avaliativas discursivas presenciais com a organização do conteúdo que servirá de base para os estudos, troca de conhecimentos, controle de participação e armazenamento seguro de evidências. Juntamente com isso, devem facilitar a comunicação entre professor, equipe de aplicação e alunos.
Importante citar que soluções que centralizam tarefas antes da aplicação das atividades avaliativas discursivas presenciais auxiliam na diminuição do trabalho manual e erros operacionais. Aliás, o Novo Marco Regulatório da Educação Superior também exige que as plataformas educacionais garantam a interação pedagógica entre estudantes, professores e mediadores pedagógicos, o que reforça a necessidade de sistemas robustos.
Boas práticas para minimizar riscos
Algumas medidas ajudam a equilibrar rigor e viabilidade das atividades avaliativas discursivas presenciais:
- Padronizar procedimentos de aplicação dentro da IES;
- Capacitar equipes locais e fiscais de prova;
- Oferecer correção padronizada para provas discursivas;
- Coordenar comunicação com prazos e instruções claras.
Conclusão
As atividades avaliativas discursivas presenciais introduzem um novo patamar de exigência pedagógica e operacional para o ensino superior. Quando cuidadosamente planejadas, elas elevam a qualidade do ensino e da aprendizagem, fortalecem a integridade dos cursos e alinham a avaliação a competências reais de análise e sÃntese.
Porém, para que a mudança cumpra esse potencial, IES e professores devem trabalhar de modo articulado: redesenhar instrumentos avaliativos, investir em formação docente continuada, adotar plataformas educacionais que organizem os materiais didáticos que servirão de base para as provas e implementar protocolos que assegurem a identificação dos estudantes.
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